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Setores Industriais respondem por 40% do Consumo Global de Energia

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Em 28 de julho o Fórum Econômico Mundial lançou a primeira edição do relatório Net-Zero Industry Tracker para acelerar o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. A ideia do Fórum é estabelecer uma plataforma de rastreamento robusta que apoie o surgimento de indústrias de baixo carbono até o final da década.

 

O relatório foi feito em colaboração com a Accenture e apoiado por contribuições de especialistas de mais de 40 organizações, e propõe uma nova estrutura para monitorar e apoiar o progresso das indústrias em direção às emissões zero de efeito estufa.

Enquanto os esforços estão em andamento e os compromissos estão sendo feitos, a realidade da redução de emissões pelas indústrias está atrasada. É extremamente importante fechar as lacunas com o monitoramento oportuno e consistente da descarbonização industrial.

Os Principais Fatos

Até 2050, espera-se que a economia global acomode e sirva 25% mais pessoas, 50% mais habitantes das cidades e estima-se que o poder de compra da classe média global cresça 100%.

Todas essas mudanças terão enormes implicações para as indústrias globais que fornecem os materiais básicos e a energia necessários para sustentar a sociedade moderna, da habitação aos bens de consumo. São essas indústrias as que mais contribuem de forma significativa para as emissões de carbono.

Segundo a Agência Internacional de Energia ((IEA) em seu Tracking Report Industry 2021, os setores industriais respondem por quase 40% do consumo global de energia e mais de 30% das emissões globais de gases de efeito estufa. A transformação desses setores é fundamental para atingir as emissões líquidas zero até 2050. Não há redução de emissões de gases efeito estufa sem as indústrias; é necessária a profunda descarbonização de seis setores industriais responsáveis por 80% das emissões industriais.

O gráfico abaixo ilustra os setores econômicos e a contribuição de cada para as emissões de gases efeito estufa. Segundo o relatório, às emissões relacionadas à produção industrial contribuem para cerca de 30% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) produzidos pelo homem. Seis setores são responsáveis por cerca de 80% das emissões industriais. Outras indústrias incluem petroquímica, mineração de carvão, papel e celulose, cerâmica e outras.

Emissões Globais de Gases Efeito Estufa (GEE) por Setor

Os especialistas afirmam que os desafios associados à descarbonização industrial são mais complexos do que os de outros setores intensivos em carbono (por exemplo, energia, transporte, edifícios etc.). Eles também são relativamente menos compreendidos. As lacunas nos dados e as discrepâncias nas principais terminologias, definições e limites da indústria e das emissões, contribuem para a falta de visibilidade do progresso. A iniciativa do Fórum Econômico Mundial de rastreamento visa fornecer às empresas, formuladores de políticas e consumidores a transparência necessária para garantir que a ação e os investimentos sejam direcionados e equilibrados.

O relatório reconhece que há esforços em andamento. Compromissos net-zero, estratégias de descarbonização, parcerias tecnológicas, projetos piloto de baixo carbono e discussões sobre produtos e prêmios verdes surgiram. De fato, permanecem desafios enormes e complexos dentro e entre os setores. O relatório destaca aceleradores e prioridades específicos para seis indústrias (aço, cimento, alumínio, petróleo, gás natural e amônia) e descreve sete recomendações intersetoriais para ação imediata.

Principais Conclusões

As transformações necessárias das indústrias para alcançar a meta de redução de emissão (Net-zero) exigem um novo nível de ambição e colaboração multissetorial.

Diante dessa condição, os ecossistemas industriais precisam unir forças além das parcerias tradicionais. O Fórum sugere o exemplo de três colaborações que devem ser construídas e replicadas, contidas no recém-lançado relatório Fostering Effective Energy Transition 2022. Ver a figura abaixo.

Padrões comuns para limites de produção de “baixa emissão” precisam ser estabelecidos para que as empresas industriais possam calibrar a transformação de seus principais processos de produção.

Os especialistas entendem que metas líquidas “zero emissão” são necessárias, mas insuficientes para impulsionar o progresso necessário ano a ano. As trajetórias de intensidade de emissão em um nível de produto (por exemplo, aço, cimento) são essenciais para orientar o progresso consistente.

Mais projetos de demonstração em grande escala precisam ser desenvolvidos para acelerar a disponibilidade comercial de tecnologias de baixa emissão.

O relatório cita que muitas tecnologias de produção de baixa emissão já atingiram grandes fases de protótipo e até mesmo de demonstração, que podem reduzir drasticamente as emissões (por exemplo, -82% para gás natural, -95% para cimento e aço e -100% para amônia). No entanto, no ritmo atual, essas tecnologias não estarão comercialmente prontas para adoção no setor antes da segunda metade da década (por exemplo, 2025 para aço e 2030 ou mais para cimento e alumínio).

Para acelerar a comercialização dessas soluções e reduzir os custos, as empresas industriais precisam dobrar seus esforços para demonstração em grande escala ou projetos comerciais iniciais. Ver a figura 2 com os exemplos de processos possíveis de descarbonização em processo industrial em segmentos específicos.

A ampla adoção de tecnologias de baixa emissão estará em risco se o ritmo dos investimentos em infraestruturas facilitadoras não aumentar drasticamente.

Segundo o relatório, a maioria dos caminhos de descarbonização da indústria depende de energia de baixo carbono, hidrogênio limpo (azul e verde) e captura de carbono. Para atender às necessidades projetadas dos seis setores de foco até 2050, as capacidades de armazenamento global de CO2 e infraestruturas de produção limpa de hidrogênio precisam crescer 64 vezes e 8 vezes, respectivamente, em relação a hoje. Quase 1.700 gigawatts (GW) de energia limpa precisarão ser adicionados. Isso exigirá aproximadamente US$ 4,2 trilhões em investimentos em infraestrutura nos próximos 30 anos.

Os sinais de demanda por produtos de baixa emissão estão surgindo, mas devem ser fortalecidos e ampliados.

O relatório estima que a descarbonização das seis indústrias pode exigir mais de US$ 2,1 trilhões em gastos de capital em ativos de produção. Esses investimentos só podem se concretizar se existirem “prêmios verdes” para conceder aos produtores e investidores retornos aceitáveis para seu risco.

Compreender a demanda do consumidor final e os compromissos dos compradores públicos e privados ajudaria a fornecer aos produtores visibilidade sobre o volume e o preço de venda de produtos de baixa emissão. Além disso, o estabelecimento de padrões adequados de rotulagem de produtos com pegada de carbono, ajudaria os consumidores a tomar decisões de forma mais assertiva e defender novos tipos de produtos. É necessária uma ação política direcionada por setor para nivelar o campo de atuação dos produtores com baixas emissões.

Mecanismos adequados de compartilhamento de risco, apoio financeiro público e taxonomias de apoio, podem acelerar o fluxo de capital privado para indústrias de baixa emissão.

Os investimentos das empresas em ativos de baixa emissão são mais arriscados devido à sua dependência de novas tecnologias e infraestrutura. O relatório sugere:

Algumas palavras finais

Há muito a ser feito. Os padrões internacionais precisam definir indústrias de “baixa emissão”. As tecnologias de produção de baixo carbono precisam demonstrar seu valor em escala comercial. A conscientização e a aceitação do consumidor devem evoluir para gerar demanda por produtos de baixa emissão. As infraestruturas necessárias para desenvolver e integrar processos de baixo carbono devem ser desenvolvidas. Mercados de baixo carbono economicamente viáveis precisam surgir.

Esses e outros objetivos não podem ser alcançados sem uma mudança de paradigma na colaboração multissetorial em ecossistemas industriais estendidos. Nem podem ser alcançados sem manter a equidade e a justiça no centro das transformações das indústrias.

A atual crise energética, a primeira do século 21, apresenta uma excelente oportunidade para acelerar o ritmo da descarbonização industrial. Agora é hora de agir.

[Segue alguns links importantes]

  1. IEA, Tracking Industry 2021, 2021. https://www.iea.org/reports/tracking-industry-2021.
  2. Production-related emissions only. “Sectoral Analysis”, Breakthrough Energy, n.d., https://www.breakthroughenergy.org/go-deeper/sectoral-analysis.
  3. World Economic Forum, Accenture, Fostering Effective Energy Transition 2022, 11 May 2022.
  4. Aluminium Stewardship Initiative, https://aluminium-stewardship.org/.
  5. Responsible Steel, https://www.responsiblesteel.org.
  6. IEA, Achieving Net-Zero Heavy Industry Sectors in G7 Members, May 2022, https://www.iea.org/reports/achieving-net-zero-heavy-industry-sectors-in-g7-members.
  7. MPP, Net-Zero Steel Sector Transition Strategy, October 2021, https://missionpossiblepartnership.org/wp-content/uploads/2021/10/MPP-Steel-Transition-Strategy-Oct-2021.pdf.
  8. Global Cement and Concrete Association (GCCA), Concrete Future –GCCA 2050 Cement and Concrete Industry Roadmap for Net-Zero Concrete, October 2021, https://gccassociation.org/concretefuture/.
  9. Mission Possible Partnership (MPP), Closing the Gap for Aluminium Emissions: Technologies to Accelerate Depp Decarbonization or Direct Emissions, December 2021, https://missionpossiblepartnership.org/wp-content/uploads/2021/12/Closing-the-Gap-for-Aluminium-Emissions.pdf.
  10. World Economic Forum, “First Movers Coalition”, World Economic Forum, n.d., https://www.weforum.org/first-movers-coalition.
  11. California Department of General Services, “Buy Clean California Act”, n.d., https://www.dgs.ca.gov/PD/Resources/Page-Content/Procurement-Division-Resources-List-Folder/Buy-Clean-California-Act.

Excelente semana!

ECONOMIA E INOVAÇÃO

Por: Sudanês B. Pereira

 

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